Há muito, muito, tempo as estrelas andavam tristes. Muito, muito, tristes. Porquê? Porque todas as noites as mães iam para a sala ver as novelas. O pais adormeciam no sofá e as crianças brincavam com computadores e viam filmes na televisão. Ninguém tinha tempo de olhar para o céu.
Sem ninguém que olhasse para elas e lhes dissesse – olá - ou – adeus - as estrelas decidiram desaparecer. Fugiram, mergulharam no mar e transformaram-se em estrelas do mar. A Lua, cheia de saudades das brincadeiras das amigas estrelas, disse que já não queria aparecer e apagou a luz; e também se escondeu.
Foi uma confusão no mundo inteiro. As galinhas que adormeciam a olhar para a primeira estrela no céu, perderam o sono e deixaram de pôr ovos. As corujas pararam de piar. Os coelhos , com medo, não saíram mais das tocas. Os grilos deixaram de fazer "cri-cri" e ficaram em silencio. Os anjos da guarda, que desciam à noitinha para dar bons sonhos às crianças perderam-se no caminho. No escuro, o vento não via nada e não sabia para onde soprar. Os agricultores, coçavam a cabeça, e não sabiam se era ou não a época certa para deitar as sementes. O mar ficou baralhado e ninguém podia ir à praia porque as ondas subiam e desciam sem saber para que lado ir.
Então, um homem muito sábio descobriu que tudo o que estava a acontecer tinha a ver com o estrelas. Desde que as estrelas tinham desaparecido era tudo uma grande confusão. O rei decidiu chamar os melhores astrónomos, mas eles não sabiam o que fazer. Chamaram fadas, feiticeiras e mágicos; para tentar resolver o problema, mas eles fizeram a sua magia e… nada! nem uma estrela aparecia no céu. A coisa estava realmente grave.
Até que, uma noite, um menino saiu de casa e começou a olhar para o céu sem estrelas e teve uma ideia. Pegou num papel dourado, num cartão, num fio e cola e fez : um papagaio estrela. Um papagaio com a forma de uma estrela; e que brilhava como uma estrela .
O menino foi a casa dos amigos e pediu todo o fio que eles pudessem arranjar. Os meninos foram todos a correr buscar os cordéis dos seus balões, as linhas dos botões das suas roupas, as fitas dos papéis de embrulho dos seus presentes de Natal. Juntaram tudo e fizeram um fio enorme, comprido, como nunca ninguém tinha visto.
Depois, foram todos para o cimo do monte, montaram nas suas bicicletas e agarrando o papagaio-estrela começaram a descer o monte a toda a velocidade e…lançaram o papagaio estrela.
O papagaio começou a subir, empurrado pelo vento baralhado, e como o fio era enorme o papagaio estrela subiu, subiu, tão alto até ficar à altura de uma estrela. As pessoas vieram à janela e todos apontavam para o papagaio-estrela e gritavam: ali, no céu, viva! já temos uma estrela! As pessoas saíram todas de casa e foram para os jardins olhar para a estrela.
- Que linda estrela - diziam.
Já não me lembrava como as estrelas eram bonitas, dizia uma mamã para a filha.
Um pai, todo contente, com o filho às cavalitas, contou que, quando era pequeno, tinha uma bolha num dedo e que se tinha curado ao apontar o dedo a uma estrela.
Aos poucos as pessoas foram saindo de casa e cada uma tinha a sua história para contar sobre a Lua e sobre as estrelas. As estrelas que estavam no fundo do mar viram a luz no céu e ouviram as pessoas a rir e vieram espreitar . Subiram ao céu todas ao mesmo tempo e a a noite de repente parecia uma árvore de Natal toda iluminada. As pessoas batiam palmas e diziam – uauaau! – todos muito felizes e a lua acendeu a luz para ver o que se passava.
Tudo voltava ao que era dantes. As estrelas estavam felizes no céu ao ver que as pessoas aplaudiam e diziam – Viva as estrelas. Viva a lua -, e prometeram nunca mais desaparecer.
Os meninos decidiram cortar o fio ao papagaio e ele voou para junto das outras estrelas e foi brincar com elas.
Agora, já sabem: uma destes noites peçam aos vossos pais para desligar a televisão e ir olhar para as estrelas. Se procurarem com atenção vão ver o papagaio-estrela, no céu, a piscar para todos os meninos. Mostrem-na aos vossos pais e depois contem-lhes esta história. E não se esqueçam, se tiverem um bolha no dedo, apontem para uma estrela.